Milhares de pessoas foram às ruas de diferentes cidades da França nesta quinta-feira (5) em novos protestos contra o governo do presidente Emmanuel Macron. Houve confronto entre manifestantes e policiais em Lyon, e a Torre Eiffel, em Paris, foi fechada. A mobilização foi convocada por sindicatos e teve apoio de estudantes.
Os atos fazem parte de semanas de turbulência social motivada pelo aumento do custo de vida e por críticas aos serviços públicos e à educação. Essas manifestações provocaram a pior onda de distúrbios registrada no país em anos. Os manifestantes também pedem melhores salários e mais recursos para os serviços públicos.
Em Lyon, centenas de manifestantes entraram em confronto com a polícia. Alguns gritavam palavras de ordem contra as forças de segurança, e outros vestiam roupas pretas e cobriam o rosto. Segundo o Ministério do Interior, os agentes foram confrontados por ativistas radicais. Mais tarde, a pasta afirmou que a violência havia sido contida, mas que a tensão continuava alta.
Próximo a Toulouse, no sudoeste, uma escola de ensino médio pegou fogo depois que manifestantes lançaram artefatos explosivos contra o prédio. Alunos e funcionários deixaram o local às pressas enquanto os bombeiros combatiam as chamas. O ministro da Educação, Edouard Geffray, classificou o episódio como um escândalo absoluto.
Em Paris, estudantes do ensino médio e outros manifestantes confrontaram a polícia pela manhã e bloquearam ruas com lixeiras. O principal ato na capital estava marcado para as 14h, no horário local, na Praça da República.
A secretária-geral da central sindical CGT, Sophie Binet, estimou que cerca de 250 mil pessoas participavam dos protestos em todo o país. Ela afirmou que o governo tentou barrar as manifestações, mas que os atos estão maiores do que nunca. Um bombeiro de 45 anos, Mehdi Dumontroty, que foi ao ato em Paris, disse que os salários não acompanharam a inflação.
As autoridades mobilizaram cerca de 70 mil policiais em todo o país, número parecido com o de protestos recentes. O governo tenta reduzir as tensões desde 17 de outubro, quando episódios de violência e saques surpreenderam as forças de segurança e danificaram lojas e prédios públicos.
Não foram relatados problemas significativos na rede de transportes nesta quinta. Segundo o Ministério da Educação, pouco mais de 15% dos profissionais do ensino aderiram à paralisação.
O aumento da violência nos últimos dias elevou a pressão sobre o governo, que enfrenta dificuldades para conter a insatisfação e avançar com medidas de ajuste fiscal. A crise ocorre a cinco meses da eleição presidencial, na qual o partido de Marine Le Pen aparece à frente nas pesquisas. A líder de ultradireita tem apontado os distúrbios como sinal de enfraquecimento do Estado.
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