Natural de Garibaldi (RS) — importante polo da vitivinicultura no Brasil — Jorge Garziera mudou-se para a região do Vale do São Francisco, no Semiárido pernambucano, quando poucos acreditavam que uvas finas pudessem prosperar ali.
Com perseverança, ele implantou o primeiro vinhedo desse tipo em Pernambuco e ajudou a estabelecer as bases para o polo vitivinícola local.
Garziera encarou desafios que pareciam intransponíveis: bom exemplo foi a viagem inaugural com o amigo Roque Cagliari, quando foram alertados a não levar roupas quentes “porque faz muito calor” — mas o carro quebrou e enfrentaram frio intenso antes de chegar ao destino.
Sua visão alcançou reconhecimento internacional: ele acreditou que a terra árida da caatinga poderia, sim, gerar um terroir único. Esse esforço culminou na primeira Indicação Geográfica (IG) para vinhos tropicais do Brasil.
Um dos frutos desse legado é o vinho denominado Resiliente — um tributo à capacidade de ressurgir, de transformar adversidade em produtividade.
Além da atuação no setor privado, Garziera exerceu mandato como prefeito de Lagoa Grande entre 1997 e 2004, e durante seu governo a cidade ganhou destaque como “Capital da Uva e do Vinho do Nordeste”.
O homem casado com Rose é pai de quatro filhas e avô — e mantém viva a tradição italiana da família, combinando viticultura, gestão pública e legado pessoal.
Mais do que um pioneiro, Jorge Garziera consolidou-se como arquiteto de sonhos: onde muitos viam apenas caatinga, ele vislumbrou vinhedos. Plantou uvas, colheu progresso — e fez com que o Vale do São Francisco despontasse na vitivinicultura nacional.
Fonte: Blog Carlos Britto

