Em entrevista , Mário Campos, presidente da Bioenergia Brasil e da SIAMIG Bioenergia, avaliou os impactos da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros do setor bioenergético, especialmente açúcar e etanol. Segundo Campos, embora a relação comercial entre Brasil e EUA no setor seja longa, há marcantes assimetrias, com o Brasil sendo maior produtor e exportador de açúcar e os EUA atuando também como grandes consumidores e importadores.
Campos explicou que, conforme acordo de 1995, os EUA mantêm uma cota anual de 1,1 milhão de toneladas para importação de açúcar, distribuída entre 42 países, incluindo o Brasil. Atualmente, o país ocupa cerca de 155 mil toneladas dessa cota, destinada por lei brasileira aos estados do Norte e Nordeste.
No segmento de etanol, o cenário é ainda mais desafiador, com os EUA produzindo cerca de 60 bilhões de litros por ano contra 35 a 37 bilhões do Brasil. Apesar da maior mistura de etanol na gasolina brasileira, que deve passar para 30%, enquanto nos EUA permanece em 10%, o país norte-americano domina o comércio internacional com acordos tarifários vantajosos com países como Reino Unido e Japão.
A nova tarifa de 50% – que se soma a outros tributos já existentes, totalizando 52,5% – eleva significativamente o custo do etanol brasileiro no mercado americano. Contudo, Campos aponta oportunidades para cooperação entre Brasil e EUA na abertura de novos mercados internacionais, incluindo blends de etanol, combustíveis sustentáveis e o mercado marítimo.
Por fim, o presidente da Bioenergia Brasil destacou que o governo brasileiro está atento e preparado para defender os interesses do setor. “O mercado está equilibrado, com crescimento forte do etanol de milho, e o país está bem amparado para enfrentar esse cenário desafiador,” afirmou Campos.
Fonte: Portal Visão Agro


