Mais de 30 milhões de cães e gatos vivem em situação de abandono no Brasil, de acordo com dados atualizados por instituições de proteção animal. A maioria sobrevive à margem das cidades, exposta à fome, aos maus-tratos e ao completo descaso. Na contramão desse cenário brutal, o Projeto “Segunda Chance”, fundado oficialmente em 2011 no estado de São Paulo, atua como um verdadeiro farol para animais resgatados. O trabalho é resultado de quase duas décadas de dedicação de suas fundadoras, que iniciaram os resgates de forma independente em 2003.
A engenheira Fernanda Barros é uma das fundadoras. Sem formação veterinária, mas movida por uma empatia inabalável, foi após o resgate do seu primeiro cão atropelado, o Bob, que a chave virou. “Se eu não fizer nada, ninguém vai fazer”, relembra, emocionada. O que começou como um gesto solitário, tornou-se um projeto de alto impacto social, com atuação nas regiões de São Paulo, Sorocaba, Itu e Araçoiaba da Serra.
Hoje, o Projeto Segunda Chance mantém um abrigo próprio com capacidade para 120 animais. O espaço é planejado para garantir qualidade de vida a cães e gatos idosos, com deficiências, vítimas de maus-tratos e até ameaçados de eutanásia. “Sabemos que muitos jamais serão adotados, então optamos por oferecer o melhor lar possível enquanto estiverem conosco”, afirma Fernanda.
As instalações incluem canis amplos com capacidade máxima de quatro animais por unidade, seis áreas de lazer para passeios diários, e ambientes internos que simulam uma casa, com sofás e conforto para os mais de 60 idosos acolhidos. O abrigo também mantém quatro gatis independentes, inclusive para gatos portadores de FIV e FELV, com espaços adaptados e enriquecidos ambientalmente.

