Os números foram divulgados pela Reuters, que informou também que a movimentação ocorreu após a retomada dos saques, suspensos temporariamente em razão do ataque cibernético registrado em 29 de outubro.
Apesar da saída expressiva de recursos, a Binance afirmou que o volume representa aproximadamente 3% dos ativos mantidos na plataforma. A empresa também informou que recebeu cerca de US$ 2,7 bilhões em novos depósitos e que as retiradas estavam apresentando sinais de estabilização.
FBI CONFIRMA ENVOLVIMENTO NORTE-COREANO
A confirmação oficial da autoria foi divulgada pelo FBI em 31 de outubro. A agência atribuiu o ataque ao grupo TraderTraitor, identificado como uma unidade de hackers patrocinada pelo Estado norte-coreano.
Segundo o comunicado, os investigadores observaram os responsáveis convertendo os valores roubados principalmente em Ethereum (ETH). As autoridades norte-americanas também alertaram que os criminosos poderiam utilizar plataformas de finanças descentralizadas (DeFi) e serviços de troca instantânea para dificultar o rastreamento dos recursos.
O FBI, em conjunto com o Serviço Secreto dos Estados Unidos e a divisão de investigação criminal da Receita Federal norte-americana, pediu que empresas do setor bloqueiem transações relacionadas aos endereços digitais identificados na investigação.
COMO O ATAQUE ACONTECEU
A empresa de inteligência blockchain TRM Labs estima que aproximadamente US$ 6,36 bilhões foram movimentados a partir de carteiras da Binance distribuídas por dez redes de criptomoedas.
A maior parte das transferências aconteceu em aproximadamente 20 minutos. A análise técnica aponta que os invasores utilizaram mecanismos de autorização digital previamente preparados e conseguiram movimentar recursos de diferentes redes.
A Binance descreveu o episódio como um ataque complexo, envolvendo um computador comprometido de um funcionário e um programa malicioso desenvolvido para apagar evidências da atividade. A investigação também identificou outros pontos de comprometimento.
BILHÕES FORAM BLOQUEADOS, MAS PARTE DOS RECURSOS CONTINUA EM MOVIMENTAÇÃO
A resposta internacional envolveu empresas responsáveis por diferentes criptomoedas e redes digitais.
De acordo com a TRM Labs, aproximadamente US$ 2,67 bilhões em stablecoins foram congelados por empresas como Tether, Circle, Ripple e World Liberty Financial. A rede Arbitrum também bloqueou ativos em sua infraestrutura.
Entretanto, o rastreamento continua. A Reuters informou nesta segunda-feira que a empresa Elliptic identificou aproximadamente US$ 3,24 bilhões em criptomoedas ainda mantidos em carteiras associadas ao roubo. A recuperação desses valores depende de ações coordenadas entre autoridades, corretoras e empresas especializadas.
BINANCE AFIRMA QUE VAI ASSUMIR OS PREJUÍZOS
Em outra atualização divulgada pela Reuters, a Binance afirmou ter recomposto aproximadamente US$ 6 bilhões dos US$ 6,3 bilhões afetados pelo ataque.
A empresa utilizou recursos próprios, reservas de segurança e parte do fundo de proteção aos usuários, conhecido como SAFU. Segundo a corretora, a parcela restante representa menos de 10% do prejuízo e envolve ativos com menor liquidez, que podem exigir mais tempo para serem adquiridos.
A companhia também declarou que os clientes não serão responsabilizados financeiramente pelo dinheiro roubado e que pretende recompor o fundo SAFU para aproximadamente US$ 1 bilhão.
O episódio ultrapassa o impacto financeiro direto sobre a Binance e levanta questionamentos sobre a segurança de grandes plataformas de negociação de ativos digitais.
A Reuters também apontou que fundos negociados em bolsa (ETFs) de Bitcoin à vista registraram saídas de US$ 643 milhões na sexta-feira (30), enquanto mais de US$ 1,3 bilhão em posições alavancadas foram liquidadas.
Apesar da dimensão do ataque, analistas ouvidos pela agência avaliam que, até o momento, não houve sinais de uma retirada generalizada de investidores do mercado de criptomoedas.
A investigação sobre a operação norte-coreana continua, enquanto a Binance tenta recuperar a confiança dos clientes e as autoridades trabalham para impedir que os valores roubados sejam definitivamente incorporados ao circuito financeiro clandestino.
Fontes: Reuters FBI e TRM Labs.

