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FBI IDENTIFICA COREIA DO NORTE COMO RESPONSÁVEL POR ROUBO BILIONÁRIO DE CRIPTOMOEDAS DA BINANCE

A crise envolvendo a Binance ganhou novos desdobramentos nesta segunda-feira (2 de novembro). Após o roubo de aproximadamente US$ 6,3 bilhões em criptomoedas, a plataforma registrou uma retirada líquida de US$ 4,72 bilhões por parte dos clientes, em meio à preocupação com a segurança dos ativos digitais.

Os números foram divulgados pela Reuters, que informou também que a movimentação ocorreu após a retomada dos saques, suspensos temporariamente em razão do ataque cibernético registrado em 29 de outubro.

Apesar da saída expressiva de recursos, a Binance afirmou que o volume representa aproximadamente 3% dos ativos mantidos na plataforma. A empresa também informou que recebeu cerca de US$ 2,7 bilhões em novos depósitos e que as retiradas estavam apresentando sinais de estabilização.

FBI CONFIRMA ENVOLVIMENTO NORTE-COREANO

A confirmação oficial da autoria foi divulgada pelo FBI em 31 de outubro. A agência atribuiu o ataque ao grupo TraderTraitor, identificado como uma unidade de hackers patrocinada pelo Estado norte-coreano.

Segundo o comunicado, os investigadores observaram os responsáveis convertendo os valores roubados principalmente em Ethereum (ETH). As autoridades norte-americanas também alertaram que os criminosos poderiam utilizar plataformas de finanças descentralizadas (DeFi) e serviços de troca instantânea para dificultar o rastreamento dos recursos.

O FBI, em conjunto com o Serviço Secreto dos Estados Unidos e a divisão de investigação criminal da Receita Federal norte-americana, pediu que empresas do setor bloqueiem transações relacionadas aos endereços digitais identificados na investigação.

COMO O ATAQUE ACONTECEU

A empresa de inteligência blockchain TRM Labs estima que aproximadamente US$ 6,36 bilhões foram movimentados a partir de carteiras da Binance distribuídas por dez redes de criptomoedas.

A maior parte das transferências aconteceu em aproximadamente 20 minutos. A análise técnica aponta que os invasores utilizaram mecanismos de autorização digital previamente preparados e conseguiram movimentar recursos de diferentes redes.

A Binance descreveu o episódio como um ataque complexo, envolvendo um computador comprometido de um funcionário e um programa malicioso desenvolvido para apagar evidências da atividade. A investigação também identificou outros pontos de comprometimento.

BILHÕES FORAM BLOQUEADOS, MAS PARTE DOS RECURSOS CONTINUA EM MOVIMENTAÇÃO

A resposta internacional envolveu empresas responsáveis por diferentes criptomoedas e redes digitais.

De acordo com a TRM Labs, aproximadamente US$ 2,67 bilhões em stablecoins foram congelados por empresas como Tether, Circle, Ripple e World Liberty Financial. A rede Arbitrum também bloqueou ativos em sua infraestrutura.

Entretanto, o rastreamento continua. A Reuters informou nesta segunda-feira que a empresa Elliptic identificou aproximadamente US$ 3,24 bilhões em criptomoedas ainda mantidos em carteiras associadas ao roubo. A recuperação desses valores depende de ações coordenadas entre autoridades, corretoras e empresas especializadas.

BINANCE AFIRMA QUE VAI ASSUMIR OS PREJUÍZOS

Em outra atualização divulgada pela Reuters, a Binance afirmou ter recomposto aproximadamente US$ 6 bilhões dos US$ 6,3 bilhões afetados pelo ataque.

A empresa utilizou recursos próprios, reservas de segurança e parte do fundo de proteção aos usuários, conhecido como SAFU. Segundo a corretora, a parcela restante representa menos de 10% do prejuízo e envolve ativos com menor liquidez, que podem exigir mais tempo para serem adquiridos.

A companhia também declarou que os clientes não serão responsabilizados financeiramente pelo dinheiro roubado e que pretende recompor o fundo SAFU para aproximadamente US$ 1 bilhão.

IMPACTO NO MERCADO DE CRIPTOMOEDAS

O episódio ultrapassa o impacto financeiro direto sobre a Binance e levanta questionamentos sobre a segurança de grandes plataformas de negociação de ativos digitais.

A Reuters também apontou que fundos negociados em bolsa (ETFs) de Bitcoin à vista registraram saídas de US$ 643 milhões na sexta-feira (30), enquanto mais de US$ 1,3 bilhão em posições alavancadas foram liquidadas.

Apesar da dimensão do ataque, analistas ouvidos pela agência avaliam que, até o momento, não houve sinais de uma retirada generalizada de investidores do mercado de criptomoedas.

A investigação sobre a operação norte-coreana continua, enquanto a Binance tenta recuperar a confiança dos clientes e as autoridades trabalham para impedir que os valores roubados sejam definitivamente incorporados ao circuito financeiro clandestino.

Fontes: Reuters FBI e TRM Labs.

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