A morte de Álvaro Henrique Braga, irmão de Ana Lídia Braga, encerra mais um capítulo de um dos crimes mais emblemáticos e misteriosos da história de Brasília. Ana Lídia tinha apenas 7 anos quando desapareceu, em 11 de setembro de 1973, e foi encontrada morta no dia seguinte, nas proximidades da Universidade de Brasília (UnB).
Álvaro morreu em 25 de novembro de 2025, no Rio de Janeiro, onde trabalhava como médico desde 1983. A informação foi confirmada pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (CREMERJ) e tornou-se pública somente na quarta-feira (16).
O caso começou quando os pais de Ana Lídia a deixaram na porta de uma escola particular, na Asa Norte, para uma aula de reforço. Segundo uma testemunha, um homem alto e loiro, vestindo uma blusa branca e calça verde militar, teria abordado a menina e saído com ela.
Durante as investigações, Álvaro foi apontado pela polícia como o principal suspeito de ter buscado a irmã na escola. A família, porém, sempre negou seu envolvimento e afirmou que ele estava com os pais no momento em que Ana Lídia foi deixada no colégio.
Raimundo Lacerda Duque, então com 30 anos, também foi investigado e apontado como possível participante do crime. Ele negou envolvimento e afirmou ter tomado conhecimento do desaparecimento da menina apenas pelo rádio.
Álvaro e Duque permaneceram presos por mais de um ano aguardando julgamento. Em junho de 1975, os dois foram absolvidos por falta de provas.
Outros dois nomes também apareceram nas investigações: Alfredo Buzaid Júnior, filho do então ministro da Justiça, e Eduardo Ribeiro de Rezende, conhecido como Rezendinho, filho do então senador Eurico Rezende. Ambos estudavam no mesmo colégio de Álvaro e foram relacionados à investigação por suposto envolvimento com drogas, mas não foram encontradas provas que estabelecessem ligação deles com o assassinato.
Em 1985, o processo foi reaberto após o surgimento de novas informações sobre o crime. A tentativa de avanço nas investigações, entretanto, não resultou em novas provas suficientes, e o caso acabou novamente encerrado.
O crime prescreveu em 11 de setembro de 1993, sem que os responsáveis pela morte de Ana Lídia fossem condenados.
OUTRAS MORTES
Raimundo Lacerda Duque morreu em 2005, em decorrência de problemas relacionados ao alcoolismo. Naquele mesmo ano, em março, morreu a mãe de Ana Lídia, que durante toda a vida sustentou não acreditar no envolvimento do filho no crime.
O pai da menina, Álvaro Braga, levou a família para o Rio de Janeiro depois da absolvição do filho. Ele morreu em 2011, também na capital fluminense, sem conceder entrevistas sobre o caso.
Alfredo Buzaid Júnior morreu em 1975, vítima de um acidente de carro. Eduardo Ribeiro de Rezende, o Rezendinho, morreu em 1990, aos 40 anos, em Vitória, no Espírito Santo.
O caso Ana Lídia completou 50 anos em 2023 e continua marcado na memória de Brasília. O túmulo da menina, no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul, permanece entre os mais visitados do local.
Fonte: Metrópoles

