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PRESIDENTE DO PARAGUAI SOFRE IMPEACHMENT, É PRESO E PAÍS PASSA A SER GOVERNADO PELO VICE

O Paraguai vive uma das maiores crises políticas de sua história recente. O presidente Santiago Peña foi destituído do cargo pelo Senado nesta sexta-feira (6), após um processo de impeachment relacionado ao colapso do Ueno Bank, instituição financeira que deixou milhões de clientes sem acesso às próprias economias.

A decisão foi aprovada por unanimidade pelos 44 senadores presentes. Pouco depois, o então vice-presidente Pedro Alliana tomou posse como novo chefe do Executivo e ficará responsável por concluir o mandato, previsto para terminar em agosto de 2028.

A crise ganhou novos desdobramentos quando o Ministério Público determinou a prisão domiciliar de Peña, sob suspeita de envolvimento em irregularidades relacionadas à instituição financeira. A ordem também alcançou Carlos Carvallo, ex-presidente do Banco Central paraguaio.

ESCÂNDALO BANCÁRIO PROVOCOU CRISE

O caso começou a ganhar grandes proporções após a intervenção do Banco Central no Ueno Bank, instituição que atendia aproximadamente 2,94 milhões de clientes em um país com cerca de 6,1 milhões de habitantes.

A medida provocou o bloqueio de contas, cartões e serviços bancários, deixando correntistas sem acesso ao dinheiro. Entre os prejudicados estavam aposentados e beneficiários de recursos previdenciários.

As investigações apontaram problemas na administração da instituição, incluindo empréstimos de alto risco a empresas relacionadas aos controladores, documentação inadequada de operações e registros contábeis irregulares.

O banco também movimentava mais de US$ 800 milhões em recursos de entidades públicas, situação que passou a ser questionada por parlamentares e investigadores.

LIGAÇÕES DE PEÑA COM A INSTITUIÇÃO

Um dos principais pontos do processo de impeachment foi a relação empresarial anterior de Santiago Peña com o grupo controlador do Ueno.

Em 2023, o então presidente declarou possuir participação acionária na Ueno Holding, além de investimentos vinculados à instituição financeira. As ações foram vendidas em 2025.

Outro ponto levantado pelos parlamentares foi a nomeação de Carlos Carvallo, que havia dirigido uma instituição financeira ligada ao grupo, para comandar o Banco Central responsável pela fiscalização do setor.

Os acusadores também apontaram possíveis irregularidades na aplicação de recursos previdenciários no banco e suspeitas de interferência política na supervisão financeira.

Peña negou as acusações e sustentou que a crise deveria ser tratada como uma questão regulatória.

RENÚNCIA NÃO IMPEDIU O IMPEACHMENT

Na quinta-feira (5), diante do avanço da crise, Santiago Peña apresentou sua renúncia à Presidência. Entretanto, o Congresso não aceitou a saída e decidiu continuar o processo de impeachment.

A disputa envolvia também as consequências jurídicas da renúncia. Pela Constituição paraguaia, ex-presidentes eleitos podem ocupar uma cadeira vitalícia no Senado, com imunidades parlamentares, desde que não tenham sido destituídos em julgamento político.

Com a condenação e o afastamento, Peña perdeu essa possibilidade, ficando sujeito às investigações judiciais sem a proteção decorrente dessa condição.

EX-PRESIDENTE DEVE RESPONDER À JUSTIÇA

Após a destituição, o Ministério Público determinou que Peña permanecesse em prisão domiciliar até sua apresentação às autoridades responsáveis pela investigação.

Entre os crimes inicialmente considerados estão lesão de confiança, tráfico de influência e administração em proveito próprio. As suspeitas ainda dependem do andamento das investigações e da análise judicial.

O ex-presidente deverá prestar esclarecimentos à Promotoria neste sábado (7), às 11h, conforme informações divulgadas pela imprensa paraguaia.

A investigação também alcançou antigos dirigentes do Ueno Bank. Executivos foram detidos, enquanto autoridades realizaram operações em endereços ligados à instituição e apreenderam veículos de luxo.

PEDRO ALLIANA ASSUME EM MEIO À CRISE

Com a saída de Peña, Pedro Alliana assumiu a Presidência do Paraguai. Integrante do Partido Colorado, ele pertence ao mesmo partido do antecessor e deverá permanecer no cargo até agosto de 2028.

Em seu primeiro pronunciamento, Alliana prometeu que os cidadãos prejudicados pelo colapso financeiro serão integralmente ressarcidos.

A mudança no comando do governo, entretanto, não encerra a crise. O novo presidente também aparece entre as autoridades mencionadas nas investigações relacionadas ao caso, embora isso não represente comprovação de responsabilidade criminal.

Enquanto os órgãos de fiscalização tentam garantir a devolução dos depósitos, o país enfrenta cobranças populares por transparência, responsabilização dos envolvidos e recuperação dos recursos bloqueados.

O episódio representa uma mudança histórica no cenário político paraguaio e abre uma nova etapa de instabilidade dentro do Partido Colorado, que continua no comando do país mesmo após a queda de Santiago Peña.

Fontes: Reuters

 

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