O artista japonês Tetsuya Chiba, um dos nomes mais importantes da história dos mangás, morreu aos 87 anos, em um hospital de Tóquio, no Japão. A morte ocorreu em 22 de outubro e foi divulgada nesta terça-feira (27). Chiba ficou conhecido mundialmente pelo trabalho em “Ashita no Joe”, uma das obras mais emblemáticas do gênero esportivo japonês.
Nascido em Tóquio, em 1939, Chiba passou parte da infância na região da Manchúria, no nordeste da China, durante o período de ocupação japonesa. Ainda criança, vivenciou os impactos do fim da Segunda Guerra Mundial, incluindo situações de violência e fome. A família retornou ao Japão em 1946.
O contato com o desenho durante a infância contribuiu para o desenvolvimento de seu interesse pelos quadrinhos. Aos 17 anos, iniciou a carreira profissional como artista de mangá e, ao longo de aproximadamente sete décadas, construiu uma trajetória marcada por obras que conquistaram leitores de diferentes gerações.
Seu trabalho mais famoso foi “Ashita no Joe”, criado em parceria com o roteirista Asao Takamori, também conhecido como Ikki Kajiwara. Publicada a partir de 1968, a história acompanha Joe Yabuki, um jovem órfão que encontra no boxe um caminho para enfrentar as dificuldades da vida e buscar seu espaço no esporte.
O sucesso da obra ultrapassou as páginas dos quadrinhos e se tornou um fenômeno cultural no Japão. A popularidade foi tão grande que fãs chegaram a realizar uma cerimônia fúnebre simbólica para um dos personagens da história, demonstrando o impacto emocional da narrativa sobre o público.
Além de “Ashita no Joe”, Chiba produziu outros títulos de destaque, incluindo “Harris no Kaze”, “Ore wa Teppei” e “Notari Matsutaro”, explorando modalidades esportivas como beisebol, kendo, sumô e golfe.
Em reconhecimento à sua contribuição para a cultura japonesa, o artista recebeu, em 2024, a Ordem da Cultura, uma das mais importantes honrarias do país. Ele foi o primeiro artista de mangá a conquistar a distinção, consolidando o reconhecimento dos quadrinhos como uma expressão artística relevante no Japão.
Fonte: Nippon.com / Jiji Press.

