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POLÊMICA ENVOLVENDO NOSSA SENHORA APARECIDA GERA DISPUTA POLÍTICA E CHEGA AO TSE

A menos de uma semana do primeiro turno das eleições de 2026, Nossa Senhora Aparecida passou a ocupar o centro de uma disputa que envolve grupos políticos e religiosos, após a circulação nas redes sociais de uma informação falsa atribuindo ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) a intenção de retirar da santa o título de Padroeira do Brasil.

O conteúdo começou a ganhar força na noite de quinta-feira (24/9), depois de um comentário feito durante um programa de televisão sobre a disputa eleitoral e o comportamento do eleitorado religioso. A fala mencionava uma suposta articulação de setores evangélicos para alterar o título concedido a Nossa Senhora Aparecida, mas não atribuía a iniciativa a Flávio Bolsonaro.

Após a transmissão, trechos do programa passaram a circular nas redes sociais acompanhados da afirmação de que o candidato do PL estaria envolvido na suposta proposta. A emissora responsável pelo conteúdo publicou uma correção e pediu desculpas na madrugada de sexta-feira (25/9), reconhecendo o erro na apresentação da informação.

A publicação viralizada também resgatou um projeto de lei apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victório Galli (MDB-MT). A proposta sugeria modificar a legislação referente ao feriado de 12 de outubro e substituir a expressão “padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. O projeto foi arquivado pela Câmara dos Deputados em agosto de 2008 e não possui relação com Flávio Bolsonaro ou com o PL.

A repercussão aumentou ainda por causa de uma declaração anterior de Flávio. Cerca de um mês antes, ao justificar sua ausência em um debate presidencial, o candidato afirmou que, caso fosse eleito, um de seus primeiros atos seria “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. A fala passou a ser compartilhada nas redes como argumento para associá-lo à possibilidade de mudanças em símbolos religiosos católicos.

Flávio negou a informação em um vídeo publicado durante agenda em Minas Gerais. Ele classificou a acusação como mentira, afirmou respeitar todas as religiões e informou que sua equipe jurídica avaliava medidas para identificar os responsáveis pela disseminação do conteúdo.

A repercussão também provocou manifestações de outras figuras públicas. O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou ter recebido mensagens de católicos preocupados com o episódio e declarou que as tradições religiosas brasileiras devem ser preservadas. A primeira-dama Janja publicou uma fotografia de Luiz Inácio Lula da Silva segurando uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, acompanhada de uma mensagem em homenagem à santa. A candidata ao Senado Simone Tebet também publicou uma imagem na Basílica de Aparecida com uma mensagem religiosa.

O caso chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O ministro André Mendonça determinou que o humorista Antonio Tabet, do Porta dos Fundos, removesse uma publicação que relacionava a família de Flávio Bolsonaro ao suposto ataque a Nossa Senhora Aparecida. A decisão estabeleceu multa de R$ 30 mil em caso de descumprimento.

Posteriormente, a determinação foi ampliada para alcançar conteúdos que repetissem a mesma alegação. Na decisão, Mendonça classificou como “notoriamente inverídica” a afirmação de que Flávio Bolsonaro teria proposto, articulado, apoiado ou pretendesse promover a retirada do título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida.

A ordem também determinou que plataformas como X, Facebook, Instagram, TikTok e YouTube removam conteúdos já identificados pela campanha de Flávio e aqueles que reproduzam o mesmo núcleo da alegação. As empresas deverão informar ao TSE as providências adotadas, sob previsão de multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento. A decisão ainda será submetida ao plenário virtual da Corte.

O ministro ressalvou, porém, que a medida não deve ser utilizada para impedir críticas políticas legítimas ao candidato.

A controvérsia ocorre em meio ao aumento da presença de temas religiosos na campanha presidencial de 2026. Nas últimas semanas, manifestações de religiosos sobre política ganharam espaço nas redes sociais, enquanto candidatos também participaram de eventos e ações voltadas a diferentes segmentos do eleitorado.

Flávio Bolsonaro participou, por exemplo, da Romaria do Divino Pai Eterno, em Trindade (GO), percorrendo o trajeto até o santuário. Já o Partido dos Trabalhadores lançou o movimento “Católicas e Católicos do Brasil com Lula”, voltado ao diálogo com o eleitorado católico.

Ao mesmo tempo, Lula tem declarado que não pretende transformar igrejas em palanques eleitorais. Em encontro com pastores realizado em setembro, o presidente afirmou que não participa de comícios em templos religiosos, sejam católicos ou evangélicos, por considerar a fé um espaço que deve ser respeitado.

Fonte: Metrópoles

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