O ex-deputado distrital Carlos Pereira Xavier, conhecido como Adão Xavier, será julgado pelo Tribunal do Júri do Recanto das Emas, no Distrito Federal. Ele é acusado de ser o mandante do assassinato do adolescente Ewerton da Rocha Ferreira, de 16 anos, ocorrido em março de 2004. O ex-parlamentar responde ao processo em liberdade.
O julgamento, inicialmente previsto para 9 de setembro, foi adiado pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) por questões de saúde do magistrado. Esta é a quarta vez que a sessão é remarcada e a segunda em que o adiamento está relacionado a problemas de saúde.
A primeira previsão para o júri era fevereiro, mas a sessão foi remarcada após a rescisão unilateral do contrato com a empresa responsável pelo fornecimento de refeições aos tribunais. Em maio, houve outro adiamento em razão de trâmites judiciais envolvendo a defesa.
RELEMBRE O CASO
Segundo a acusação, Adão Xavier suspeitava que o adolescente mantinha um relacionamento com sua então esposa e teria decidido encomendar a morte do jovem. Conforme consta no processo, o ex-parlamentar teria pago R$ 15 mil pela execução.
O corpo de Ewerton foi localizado com marcas de tiros de revólver atrás de uma parada de ônibus no Recanto das Emas.
Na época do crime, Xavier era casado havia 14 anos. De acordo com os autos, ele suspeitava que a esposa mantinha relacionamentos extraconjugais com adolescentes, entre eles Ewerton. Mesmo após ameaças contribuírem para o fim do relacionamento entre a mulher e o jovem, a acusação sustenta que o ex-deputado teria decidido pela morte do adolescente.
Carlos Xavier chegou a ser condenado a 15 anos de prisão pelo homicídio. Em 2024, porém, a Justiça anulou o julgamento que havia resultado na condenação.
A anulação ocorreu após a defesa apresentar novos elementos ao processo, incluindo um relatório policial e depoimentos dos policiais civis Adamastor Castro e Lino de Andrade Júnior. Os agentes participaram da investigação do caso quando trabalhavam na antiga Coordenação de Investigação de Crimes Contra a Vida (Corvida), atual Delegacia de Homicídios.
A condenação anterior também resultou na cassação do mandato de Carlos Xavier. Ele foi o primeiro parlamentar da história da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) a perder o mandato em decorrência de uma condenação criminal.
QUESTÕES DE SAÚDE
O adiamento mais recente foi atribuído pelo TJDFT a questões de saúde do magistrado responsável pela sessão.
Apesar disso, Carlos Xavier publicou, em 8 de setembro, um vídeo em sua conta pessoal no Instagram em que aparece caminhando durante uma feira. Em outras publicações feitas em agosto, o ex-parlamentar aparece internado e aparenta ter passado por um procedimento médico. Também há registros recentes de participação em agendas públicas.
TRAJETÓRIA POLÍTICA
Carlos Xavier exerceu três mandatos como deputado distrital. Foi eleito em 1994, 1998 e 2002, pelos partidos PPB e PSD.
Durante sua passagem pela Câmara Legislativa do Distrito Federal, foi autor da Lei nº 893, de 1995, que instituiu o Dia do Evangélico no calendário oficial do DF, celebrado em 30 de novembro.
Nas eleições de 2026, Xavier pretende disputar novamente uma vaga de deputado distrital, desta vez pelo partido Democracia Cristã.
Fonte: Metrópoles

