O governo de Cuba classificou como “calúnia” e “falsidade” as declarações feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a situação da ilha durante seu discurso na 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada nesta terça-feira (22), em Nova York.
Durante a fala, Trump afirmou que sua administração busca promover uma “mudança fundamental” em Cuba e declarou que o regime comunista estaria sob a maior pressão já enfrentada. O presidente norte-americano também descreveu o país como um “Estado absolutamente falido” e afirmou que a ilha estaria “em colapso”.
As declarações provocaram uma reação imediata do governo cubano. O chanceler Bruno Rodríguez afirmou que os Estados Unidos não reconhecem o direito de Cuba à independência e à soberania.
Segundo Rodríguez, as declarações feitas por Trump durante a Assembleia Geral não modificam a condição de Cuba como país soberano. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, também se manifestou nas redes sociais e afirmou que o governo norte-americano continua fazendo acusações contra Havana sem, segundo ele, apresentar justificativas para as medidas adotadas contra a população cubana.
DELEGAÇÃO CUBANA DEIXA SESSÃO
Durante o discurso de Trump no plenário da Assembleia Geral, a delegação cubana deixou a sessão em protesto contra as declarações do presidente dos Estados Unidos.
A saída ocorreu enquanto o republicano apresentava a situação de Cuba como parte de sua política de pressão sobre governos considerados adversários por Washington.
As relações entre os dois países voltaram a ficar mais tensas desde o retorno de Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025. Desde então, os Estados Unidos ampliaram medidas de pressão econômica e diplomática contra Havana.
O governo cubano, por sua vez, acusa Washington de manter uma política destinada a provocar o enfraquecimento e o colapso da economia da ilha.
PRESSÃO ECONÔMICA
Trump tem defendido publicamente o aumento da pressão sobre o governo cubano. A ilha está localizada a cerca de 150 quilômetros da costa da Flórida e ocupa uma posição estratégica no Caribe.
Nos últimos meses, os Estados Unidos adotaram novas sanções contra entidades cubanas de setores considerados estratégicos pelo governo norte-americano. As medidas integram a política de pressão sobre a administração de Miguel Díaz-Canel.
Cuba também enfrenta dificuldades econômicas, incluindo problemas no abastecimento de combustíveis, limitações no fornecimento de energia e apagões registrados em diferentes regiões do país.
Havana rejeita as acusações feitas pelos Estados Unidos e atribui parte das dificuldades econômicas às sanções e ao embargo norte-americano, mantido há décadas.
Fonte: Metrópoles

