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Tarifas dos EUA podem colapsar fruticultura no Nordeste e agravar economia do agronegócio brasileiro

O agronegócio brasileiro, principal motor da economia nacional, enfrenta uma ameaça sem precedentes. Uma tarifa de 50% sobre produtos agrícolas brasileiros, prevista para entrar em vigor pelos Estados Unidos já em agosto, pode gerar um efeito devastador na fruticultura nordestina, especialmente no Vale do São Francisco, e comprometer até 200 mil empregos diretos e indiretos.

O alerta é grave e urgente. O empresário Silvio Medeiros, da Agrobras, resumiu o cenário com uma frase emblemática: “A fruta vai virar lama.” A região, que destina cerca de 80% da produção de uva e manga ao mercado norte-americano, vê-se à beira de um colapso logístico, comercial e social

Segundo a Abrafrutas (Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados), a medida configura um “golpe duro” contra a economia regional. Em 2024, o mercado norte-americano gerou US$ 148 milhões em receitas com a importação de frutas brasileiras — somente a manga somou 258,3 mil toneladas, com 36,8 mil toneladas destinadas aos EUA.

Agora, com o risco de tarifação iminente, exportadores enfrentam incertezas críticas, especialmente em contratos já firmados. Um navio que parte neste fim de semana pode não conseguir descarregar antes que a nova regra entre em vigor, gerando prejuízos imediatos para produtores e empresas logísticas.

Paulo Dantas, diretor-presidente da Agrodan, um dos maiores exportadores de manga do país, alerta: o impacto não se limitará ao mercado americano. “Com os EUA fechando as portas, o excesso de frutas será redirecionado para um mercado interno incapaz de absorver esse volume, além de pressionar os preços no mercado europeu”, explica.

A saturação de canais de escoamento e a perecibilidade dos produtos tornam o cenário ainda mais preocupante. Sem alternativas rápidas, perdas milionárias são praticamente inevitáveis.

A crise não se restringe às frutas. Produtos como café, suco de laranja e carne bovina também estão sob risco de tarifação. Robson Gonçalves, professor da FGV, lembra que taxar o café — uma commodity que os EUA sequer produzem — seria um “jogo de perde-perde”, prejudicando consumidores americanos e produtores brasileiros.

O Brasil responde por cerca de um terço das importações de café dos EUA, volume praticamente impossível de ser substituído a curto prazo.

Diante da gravidade da situação, o setor produtivo faz um apelo claro ao governo brasileiro: é hora de agir com urgência, abrindo canais diplomáticos e comerciais para reverter ou mitigar os efeitos da medida.

“Esse não é apenas um embate econômico, é uma questão de sobrevivência de cadeias produtivas inteiras, de famílias, de municípios que dependem da fruticultura”, reforça Paulo Dantas. O momento exige negociação, diálogo e soluções que beneficiem ambas as nações, evitando uma escalada de tensão comercial.

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