InícioNotíciasPolíticaEm defesa da soberania, governo Lula tenta barrar mudanças na Lei Antiterrorismo

Em defesa da soberania, governo Lula tenta barrar mudanças na Lei Antiterrorismo

Pressionado pelo avanço da pauta da oposição na área de segurança pública, o Palácio do Planalto intensificou nesta segunda-feira (3) as articulações para adiar a votação do projeto que equipara facções criminosas a organizações terroristas. A análise está marcada para esta terça-feira (4) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.

De acordo com o jornal O Globo, o governo federal tenta enfraquecer a proposta oposicionista para emplacar o projeto de lei antifacção, que cria um tipo penal específico para grupos criminosos. A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), ligou pessoalmente para parlamentares na tentativa de barrar a sessão. Paralelamente, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atua para controlar a CPI do crime organizado, cuja instalação também está prevista para esta terça-feira, evitando desgaste político sobre o tema.

A inclusão da tipificação de “facção criminosa” no texto do governo, feita de última hora, busca neutralizar o projeto que classifica integrantes de grupos como Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como terroristas. O Planalto avalia que, somado à PEC da Segurança Pública, enviada em abril, o projeto antifacção já contempla as principais demandas da oposição, mas sem os efeitos colaterais da equiparação ao terrorismo.

Na prática, o governo teme que reconhecer a existência de “grupos terroristas” no país possa gerar consequências internacionais, abrindo espaço para intervenções externas e até sanções econômicas. Países que abrigam organizações terroristas, por exemplo, podem enfrentar restrições a bancos e empresas, além de aumento no custo de seguros e fuga de investimentos.

O Palácio do Planalto vê risco político e diplomático caso as facções sejam formalmente classificadas como terroristas. O reconhecimento oficial abriria precedente para ações estrangeiras em território brasileiro, como as conduzidas pelos Estados Unidos em países como Paquistão, Iêmen e Somália, sob o argumento da “extraterritorialidade”.

A proposta governista também prevê instrumentos ampliados de investigação, como o uso de agentes infiltrados, empresas fictícias e perdimento antecipado de bens, além de fortalecer a presença da União nas ações de segurança pública — ponto central da PEC da Segurança.

Já a oposição tenta apensar a iniciativa do governo ao Projeto de Lei que altera a Lei Antiterrorismo, o que unificaria as propostas sob a relatoria do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Governistas consideram a manobra um “absurdo” e prometem resistir.

Disputa política na CPI do crime organizado

Enquanto isso, a oposição tenta transformar a CPI do crime organizado em palanque político contra o governo Lula. No Senado, a comissão foi proposta pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) e autorizada por Davi Alcolumbre (União-AP). A investigação, que ganhou força após a operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro — com 121 mortos —, pretende apurar a atuação de facções e milícias.

A direita aposta na indicação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a presidência da CPI, ampliando a pressão sobre o Planalto. Já os senadores petistas trabalham para eleger Fabiano Contarato (PT-ES), delegado da Polícia Civil e visto como nome de consenso até entre opositores. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), deve integrar o colegiado para atuar nos embates com os bolsonaristas.

Com o impasse político e o risco de derrotas nas comissões, o Planalto aposta na estratégia de adiar votações e fortalecer o discurso de que a lei antifacção é mais eficaz e compatível com a defesa da soberania nacional do que a proposta da oposição

agencia Brasil

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