Indignado com a discrepância de preços dos combustíveis entre as cidades de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), o leitor Gilmar Alves Santana cobra explicações do Sindicato dos Postos Varejistas. Mais do que isso: ele quer também que órgãos como MPPE e Procon apurem o fato. Para se ter uma ideia, o preço atual do litro da gasolina atualmente em Juazeiro é de R$ 5,99. Já em Petrolina estagnou em R$ 6,75.
Confiram:
Desde que retornei ano passado para Petrolina e Juazeiro, já sabia de um problema seríssimo por aqui: o preço dos combustíveis automotivos, em especial a gasolina. Posso afirmar que temos o preço mais exagerado em um raio regional abrangente. Mas por que isto? Ora, senão pela famosa cartelização, que é o acordo entre empresas do mesmo ramo de atividade para evitar a concorrência mútua e garantir a regulação de preços de vendas.
Os preços exagerados também aconteciam em Juazeiro.
Só que esta semana de agosto, aleluia! Em Juazeiro, o preço começou a cair. E começou a cair em um preço considerável. São quase R$ 0,61 (quarenta centavos) de diferença entre o preço praticado até o dia 05/08/2025, que era de R$6,61 (preço linear no centro da cidade, diga-se de passagem).
Acredito que a baixa desse preço tem a ver com o aumento recente da mistura do etanol anidro à gasolina A, que formam a gasolina C. Mas é um valor de queda muito considerável, pois o aumento de 27% para 30% do anidro, que tem um preço na usina mais barato, não propiciaria toda essa queda. Quero dizer, essa queda deve ter outros fatores relacionados, pois a expectativa de queda nos preços era de R $0,11. Será que os proprietários de postos estão preocupados com a sociedade juazeirense? Duvido muito. Acho que eles não sabem precificar inicialmente essa transição (da mistura e da aquisição junto às distribuidoras, como chegar ao preço de venda).
Já em Petrolina, Terra dos Impossíveis, é impossível verificar que os proprietários dos postos varejistas têm essa preocupação, de pensar na sociedade, de pensar nos consumidores de baixa renda. Aliás, são eles que giram o comércio local, em uma alucinada circulação de carros e motos.
É que muitos são usados para prestarem serviços à sociedade da região. Mas esses consumidores só são premiados com preços exorbitantes. R$ 6,75 a R$ 6,79 é um absurdo, extrapola a ideia de que a cidade de Petrolina é boa para se viver.
Só para exemplificar a cartelização em Petrolina, existe uma rede de postos com duas filiais em Petrolina, um localizado no Bairro Atrás da Banca e o outro na Cohab Massangano, que praticam o preço de R$ 6,79. Porém, na matriz de Afrânio e em outra filial de Rajada, mais distantes de uma distribuidora de onde buscam a gasolina, o preço é de R$ 6,35.
Se alguém confrontar que a diferença de preços entre Petrolina e Juazeiro tem a ver com o ICMS, imposto estadual, já rechaço enfatizando que a legislação desse imposto tem a cobrança na sistemática monofásica, e a base para calcular é a mesma para todo o país, que atualmente é de R$ 1,47 o litro de gasolina.
Finalizando, em relação a Petrolina, solicito manifestação do Ministério Público de Pernambuco, do Procon-PE e do Sindicato dos Postos Varejistas, sobre essa precificação absurda da gasolina.
Gilmar Alves Santana/Cidadão petrolinense e juazeirense
Blog de Carlos Brito

