O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), intensificou nesta semana os esforços diplomáticos e empresariais para reverter o aumento de tarifas anunciado pelo governo dos Estados Unidos contra o Brasil. A medida foi imposta pelo presidente norte-americano, Donald Trump, dentro de uma nova ofensiva comercial que atinge setores estratégicos da economia brasileira.
Após o envio de uma carta oficial ao secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, o ministro tem buscado o apoio de empresas norte-americanas com atuação consolidada no Brasil para formar uma frente de diálogo em Washington. Entre as companhias contatadas estão multinacionais como General Motors, Coca-Cola e Amazon, com décadas de presença no mercado brasileiro.
Nesta quarta-feira (16), Alckmin reuniu-se com representantes dessas empresas. Segundo integrantes do ministério, os encontros foram considerados produtivos. As empresas sinalizaram disposição em acionar suas sedes nos Estados Unidos com o objetivo de abrir canais de negociação com a Casa Branca e reforçar a importância da relação bilateral com o Brasil.
Apesar do avanço nas articulações com o setor privado, o governo brasileiro ainda enfrenta desafios diplomáticos. De acordo com avaliação interna no Palácio do Planalto, o presidente Donald Trump mantém uma postura hostil ao Brasil, impulsionada por pressões de empresários norte-americanos e por influência direta do ex-presidente Jair Bolsonaro, que ainda atua como interlocutor ativo em pautas bilaterais.
A recente investigação aberta pelos Estados Unidos com base na Seção 301 do Código Comercial norte-americano também é vista como uma tentativa de proteger os interesses de grandes empresas de tecnologia. Ainda que Trump justifique a medida como uma resposta a supostas “injustiças” contra Bolsonaro, a avaliação do governo Lula é de que o verdadeiro alvo são práticas brasileiras que afetam a competitividade de big techs como a Meta.
Um dos pontos centrais é o sucesso do Pix, sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central do Brasil. Gratuito, universal e de adesão obrigatória por instituições financeiras, o Pix tem incomodado empresas como a Meta, que vinha desenvolvendo funcionalidade similar no WhatsApp, dependente de parcerias com operadoras de cartão de crédito.
A Meta tem alegado que o modelo brasileiro configura concorrência desleal. Por outro lado, o governo federal vem defendendo o Pix como um exemplo de inovação pública em benefício da população. Nas redes sociais institucionais, a resposta foi clara: “O Pix é nosso, my friend”.
As negociações continuam, e o governo brasileiro reafirma o compromisso com a transparência, a soberania digital e a construção de relações comerciais equilibradas e respeitosas com seus parceiros internacionais.

