A recente decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar uma tarifa de 50% sobre os negócios com o Brasil acendeu o alerta entre os produtores de frutas do Vale do São Francisco, uma das principais regiões exportadoras do país. Segundo o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais do Vale do São Francisco, Jailson Lira, a medida representa uma séria ameaça à competitividade brasileira no mercado norte-americano, especialmente no setor de uva e manga, que já representa uma fatia expressiva da balança comercial da região.
Atualmente, 30% da produção de frutas do Vale do São Francisco é exportada para os EUA, com destaque para a uva, cujo pico de exportação ocorre entre setembro e dezembro. “Se essa tarifa não for reduzida até setembro, podemos perder um mercado crucial. O impacto seria devastador”, alerta Lira, que estima uma possível perda de 22,5 milhões de toneladas de uva, comprometendo empregos, empresas e a economia agrícola do Nordeste.
A preocupação é ampliada pelo avanço de concorrentes internacionais, como o Peru, que, segundo Lira, está ganhando espaço com custos mais competitivos. Enquanto o mercado europeu recebe cerca de 3 mil contêineres de uva, os Estados Unidos já absorvem 1.500, consolidando-se como o segundo maior destino das frutas do Vale. No caso da manga, o volume de exportação é ainda maior, e também está em risco com a nova política tarifária.
A indefinição sobre a manutenção ou revisão das tarifas impostas por Trump gera incertezas e obriga os produtores brasileiros a buscarem alternativas para mitigar os impactos, mantendo a expansão dos negócios internacionais e protegendo milhares de empregos diretos e indiretos ligados ao agronegócio do Vale do São Francisco.

