A Associação Cultural e Esportiva Nipo-Brasileira do Vale do São Francisco (ACENIBRA) realizou, nos dias 26 e 27 de setembro, em Juazeiro, o Bon Odori 2026.

O festival reuniu apresentações culturais, gastronomia, artesanato, produtos do agro local, comércio e atividades recreativas, celebrando a cultura japonesa e sua relação com diferentes comunidades do Vale do São Francisco.

Durante os dois dias de programação, o público encontrou barracas com guloseimas asiáticas, lanches, produtos do agro local, kokedamas, artesanatos e semijoias.

O evento também contou com gincanas e outras atividades de interação com os visitantes.

A abertura do festival contou com a participação de representantes da comunidade nipo-brasileira e de instituições ligadas à cultura japonesa.

Em seu discurso, a presidente da ACENIBRA, Mônica Ishikawa, destacou que a celebração não é restrita aos descendentes de japoneses e ressaltou a participação de pessoas que se identificam e têm interesse pela cultura.
“A força da celebração não é apenas dos nikkeis, mas sim daqueles que se sentem nikkeis, que gostam da nossa cultura, da cultura japonesa em si”, afirmou.
Mônica também explicou que não é necessário ser descendente de japoneses para fazer parte da associação.
“É muito importante que vocês entendam que para fazer parte da associação, não é obrigatório você ser japonês, não é obrigado a ter olhos puxados, muito pelo contrário. Todos aqueles que gostam da cultura japonesa são bem-vindos”, declarou.

A secretária da Federação Nippo-Brasileira da Bahia, Keiko Nakagawa, também participou da abertura e falou sobre o significado tradicional do Bon Odori.
“O Bon Odori é uma tradição onde agradecemos nossos ancestrais, mas ao longo do tempo esse momento tem sido compartilhado com amigos, famílias e simpatizantes da cultura nikkei”, afirmou.
“Isso faz engrandecer, e tornar nosso momento mais bonito e mais alegre”, acrescentou.

O cônsul honorário do Japão em Salvador, Roberto Fudio Mizushima, também esteve presente. Durante o discurso, destacou a relação com a região e a importância da participação de diferentes públicos na preservação da cultura japonesa.
“É uma grande satisfação estar mais uma vez aqui no Bon Odori de Juazeiro. O Vale do São Francisco é minha segunda residência. É uma grande satisfação a gente participar aqui das festividades da associação”, afirmou.
Roberto também mencionou o apoio da Federação de Salvador e destacou a importância de ampliar o alcance da cultura japonesa.
“O sucesso desse festival, graças também ao apoio da Federação de Salvador, faz com que cresça muito a diversidade da cultura japonesa. A cultura japonesa não é apenas para japoneses e seus descendentes, precisamos que se espalhe para todos”, declarou.

Também participaram da abertura o tesoureiro da Federação Nippo-Brasileira da Bahia, Shigeki Nishimoto; Sérgio Mimura, representante dos expositores e associado da ACENIBRA; e Toshihiro Tahara, conselheiro da Federação Nippo-Brasileira da Bahia.

Toshihiro Tahara realizou o tradicional brinde com saquê, dando início às festividades.
41 ANOS DE HISTÓRIA

Com 41 anos de história, a ACENIBRA contribui para o fomento da cultura nipônica no Vale do São Francisco.
A coordenadora dos jovens da associação, Mariana Ishikawa, explicou que o Bon Odori representa uma celebração de gratidão.
“O Bon Odori é nossa festa da gratidão, onde agradecemos aos antepassados e nossa colheita no ano”, comentou.

Mariana também destacou uma mudança na compreensão do termo “nikkei”, que tradicionalmente era associado aos descendentes de japoneses.

“Hoje até a nomenclatura, o ‘nikkei’, que era a pessoa descendente de japonês, foi ampliado. Hoje entende-se que nikkei é todo aquele que tem interesse em preservar a cultura japonesa”, explicou.
“Hoje diversas associações Brasil afora têm esse entendimento e aceitam não descendentes”, acrescentou.
MÚSICA, DANÇA E TRADIÇÃO

Entre as atrações culturais estiveram grupos de Taikō, Kenko Taisso, Hanabi e Matsuri Dance, além da tradicional Parada Bon Odori.

Ananda, integrante do grupo de Taikō Wadō, contou que a formação surgiu em 2008, durante as comemorações do centenário da imigração japonesa no Brasil.
“O Grupo Wadō surgiu em 2008 no centenário da imigração japonesa no Brasil. O Bon Odori é um festival que a gente faz com muita música e dança, são expressões e linguagens artísticas que unem as pessoas”, afirmou.
Segundo Ananda, o grupo possui cerca de 30 integrantes, todos voluntários.
“Nosso grupo tem em torno de 30 membros e todos voluntários. Fazemos isso justamente para fomentar ainda mais essa cultura”, explicou.

Também integrante da programação, Erika Okubo, líder do grupo de Taikō de Juazeiro Doshindaiko, falou sobre a trajetória da formação, criada em 2014.

“Nosso grupo foi fundado em 2014, com 10 membros e conta com descendentes e não descendentes, para apresentar e promover nossa cultura. Também nós apresentamos em outras comunidades e eventos para promover a cultura”, comentou.

O grupo Hanabi, ligado à dança Matsuri, também participou das apresentações. Yuemei Okada contou que a trajetória começou ainda na infância, com danças simples, e que o grupo foi oficializado em 2023.

“Nosso grupo começou quando éramos crianças, com danças simples, e foi oficializado em 2023 e conta com 7 integrantes”, relatou.
Yuemei explicou ainda que o repertório reúne músicas tradicionais e contemporâneas.
“Dançamos músicas tradicionais como Enka, mas também pop modernas”, afirmou.
Kaori Takeshita falou sobre uma das apresentações realizadas pelo grupo durante o festival.
“Fizemos uma apresentação mais tradicional no estilo Shinbuyo, com três músicas, Tsugaru Koetsutsuri, Yozakuka Oshichi e Tsuki Kage Mai Ka”, explicou.

A apresentação final contou com uma participação conjunta com o grupo Wadō, reunindo as diferentes expressões artísticas em um mesmo momento.

Com apresentações, gastronomia, barracas de produtos, artesanato, atividades recreativas e participação de representantes da comunidade nipo-brasileira, o Bon Odori 2026 reuniu tradição e novas formas de participação, mantendo a cultura japonesa como ponto de encontro entre descendentes e pessoas interessadas em conhecer e preservar essas manifestações no Vale do São Francisco.
Texto: Adson Douglas

