As irmãs gêmeas Taraneh e Romina Rahimi, de 21 anos, estão presas no Irã após participarem de manifestações contra as autoridades em Isfahan, no centro do país. Taraneh foi condenada à morte por uma acusação de “guerra contra Deus”, enquanto Romina recebeu uma pena de 36 anos de prisão, segundo a organização Human Rights Activists (HRANA) e informações divulgadas pelo Metrópoles.
As duas participaram dos protestos realizados nos dias 8 e 9 de janeiro, que reuniram milhares de pessoas em Isfahan. As manifestações fizeram parte de uma onda nacional iniciada no fim de dezembro, impulsionada pelo aumento do custo de vida e posteriormente reprimida pelas autoridades iranianas.
Prisão e julgamento
Segundo familiares, as irmãs foram detidas cerca de uma semana após os protestos, durante operações policiais em locais onde estavam. Elas permaneceram sem contato com a família durante meses e, em julho, foram levadas a um tribunal instalado dentro de uma prisão de Isfahan.
Taraneh e Romina estavam entre 16 pessoas julgadas no processo. De acordo com organizações de direitos humanos, as acusações estão relacionadas à suposta participação na morte de um integrante da Guarda Revolucionária e de uma pessoa sem-teto nas proximidades dos protestos.
A HRANA afirma que não foram apresentadas evidências independentes que estabeleçam ligação entre os acusados e as mortes. A organização também relata que os réus afirmaram ter sofrido tortura e pressão para apresentar confissões.
Família denuncia tortura
O primo das irmãs, Masud Nourmohamadi, que vive nos Estados Unidos, afirma que as duas foram submetidas a agressões e ameaças durante a prisão. Segundo o familiar, Taraneh teria sido ameaçada com violência sexual contra a irmã caso não assinasse uma confissão.
A família também relata que Taraneh sofre com problemas no joelho, que já havia passado por cirurgia antes da prisão. O Centro pelos Direitos Humanos no Irã (CHRI) demonstrou preocupação com o estado de saúde da jovem, afirmando que ela apresenta dificuldades para caminhar.
As denúncias de tortura e confissões forçadas também foram relatadas por outras organizações de direitos humanos. As autoridades iranianas, por sua vez, classificam os protestos como distúrbios fomentados do exterior e afirmam que atuam contra os responsáveis pela instabilidade.
Sentença pode ser contestada
A condenação à morte de Taraneh ainda pode ser objeto de recurso. O caso ocorre em meio ao aumento das execuções relacionadas aos protestos de janeiro. Segundo a Rádio Farda, da RFE/RL, 29 pessoas já foram executadas em conexão com as manifestações, todas homens.
A situação das gêmeas tem recebido atenção de organizações internacionais de direitos humanos, que questionam as condições do julgamento e as denúncias de tortura apresentadas pelos acusados e familiares.
Fonte: Metrópoles, com informações de organizações de direitos humanos e RFE/RL.

