A falta de água em Petrolina, no Sertão de Pernambuco, voltou a mobilizar moradores durante a semana. Com temperaturas acima dos 38ºC e registros de torneiras secas em diversos bairros, como Areia Branca, Jardim Maravilha, Novo Tempo, João de Deus e Pedra Linda, lideranças comunitárias organizaram protestos cobrando providências imediatas da Compesa. O tema também foi levado à Câmara Municipal, onde vereadores criticaram a gestão estadual e cobraram prazos concretos para a normalização do abastecimento.
De acordo com a Compesa, o agravamento da crise está ligado à redução da vazão do Rio São Francisco, ao aumento do consumo devido ao calor intenso e às limitações estruturais do sistema de abastecimento. No dia 22 de setembro, a defluência da Barragem de Sobradinho caiu de 1.100 m³ por segundo para 830 m³ por segundo, uma redução de 22%. Essa diminuição no volume de água reduziu a capacidade das bombas em até 15%, impactando diretamente o fornecimento para a cidade.
Outro problema apontado é o envelhecimento da estrutura. Cerca de 60% de Petrolina ainda depende da ETA 1, estação de tratamento construída há 50 anos, projetada para um cenário muito diferente do atual. Como o mesmo reservatório é usado tanto para a distribuição de água quanto para a lavagem dos filtros, são necessárias paradas diárias, o que explica as interrupções frequentes, especialmente à noite. A situação também é agravada pelo acúmulo de vegetação e baronesas na captação, que prejudica as bombas e obriga suspensões emergenciais no sistema.
Mesmo diante das dificuldades, a Compesa afirma que investimentos estão em andamento. A principal obra é a nova Estação de Tratamento de Água São Francisco, que terá capacidade de 400 litros por segundo e deve reforçar o sistema a partir de 2026. Estão previstas ainda a instalação de bombas flutuantes, a modernização das captações e o retrofit das três ETAs (1, 2 e Vitória). Segundo a companhia, mais de R$ 100 milhões estão sendo aplicados em Petrolina, Izacolândia e Lagoa Grande, com foco na recuperação de reservatórios e substituição de bombas. A expectativa é que bairros como João de Deus e Novo Tempo sintam melhorias graduais em 2025, mas a normalização definitiva só deverá ocorrer com a conclusão das novas estruturas previstas para o ano seguinte.
Blog do Waldiney Passos

