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Crise nas exportações ameaça fruticultura do Vale do São Francisco e coloca em risco cadeias produtivas de todo o Brasil

A crise comercial que atinge o setor da fruticultura brasileira já provoca impactos profundos, especialmente para os produtores do Vale do São Francisco, região que lidera o cultivo de frutas no país.  Cerca de 77 mil toneladas de  frutas brasileiras que aguardam exportação para os Estados Unidos correm risco de estragar ou de serem comercializadas abaixo do preço de mercado por causa da tarifa de 50% imposta pelo presidente norte-americano, Donald Trump.

Os números revelam a dimensão do problema: a quantidade de mangas afetadas pela medida seria suficiente para abastecer, por um ano inteiro, a população de grandes capitais como Salvador (BA), Manaus (AM) e Recife (PE). Se transformadas em suco, essas mangas gerariam cerca de 38,5 milhões de litros, o bastante para servir um copo a mais de 192 milhões de pessoas.

Entre os produtos mais prejudicados está a manga, principal fruta in natura exportada pelo Brasil para os Estados Unidos. O cenário é ainda mais delicado porque a janela de exportações, que vai de agosto a outubro, coincide justamente com o início da aplicação da nova sobretaxa americana, o que pode inviabilizar o escoamento da safra.

“A gente não pode colocar essa manga no mercado interno, porque vai colapsar tudo. Urge uma definição, urge o bom senso. Não podemos deixar manga no pé, com desemprego em massa”, alerta Guilherme Coelho, presidente da Abrafrutas (Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados).

O setor vive um momento de insegurança e instabilidade. A possibilidade de redirecionar os embarques para a Europa também se mostra inviável, tanto pela falta de logística quanto pela expectativa de queda nos preços.

Além da manga, o suco de laranja também está sob ameaça. Segundo dados da CitrusBR (Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos), na safra 2024/2025 foram exportadas 305 mil toneladas do produto para os Estados Unidos, gerando mais de US$ 1,3 bilhão em receita. Com o aumento de 533% nas tarifas, o segundo principal destino da bebida se torna economicamente inviável.

Caso o impasse não seja resolvido, os efeitos negativos devem se prolongar para as próximas safras, com impacto direto sobre os investimentos, geração de empregos e toda a cadeia logística da fruticultura nacional. O governo federal orientou as empresas brasileiras a mobilizarem seus compradores nos EUA e tenta negociar o adiamento da tarifa por 90 dias, como forma emergencial de conter os prejuízos e evitar o colapso do setor no segundo semestre — tradicionalmente o mais lucrativo para a fruticultura brasileira.

Anunciada por Trump, a medida entra em vigor em 1º de agosto e já levou à suspensão de embarques de frutas, pescados, grãos e carnes.

No setor de frutas, o impacto é expressivo. Um levantamento aponta os volumes em risco:

  • 36,8 mil toneladas de manga
  • 18,8 mil toneladas de frutas processadas, principalmente açaí
  • 13,8 mil toneladas de uva
  • 7,6 mil toneladas de outras frutas

De acordo com a Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de  Frutas e Derivados (Abrafrutas), cerca de 2,5 mil contêineres estão preparados para exportação, à espera de uma solução diplomática.

A quantidade é suficiente para abastecer, por um ano inteiro, a população de grandes capitais como Salvador (BA), Manaus (AM) e Recife (PE).

Pernambuco local products

Se convertida em  suco, essa quantidade equivaleria a 38,5 milhões de litros, o bastante para servir um copo a mais de 192 milhões de pessoas.

O números dimensionam o impacto da disputa comercial, que atinge em cheio produtores e exportadores do país.

A crise impacta diretamente os produtores do Vale do São Francisco, que lidera o cultivo no Brasil. Caso o impasse persista, os efeitos negativos devem se alastrar pelas próximas safras, com potencial para reduzir investimentos, provocar demissões e afetar toda a cadeia logística da fruticultura nacional.

Entre os produtos mais afetados está a manga, principal fruta in natura exportada pelo Brasil para o mercado norte-americano. O cenário é o mais delicado porque a janela de embarques — que vai de agosto a outubro — coincide justamente com o início da aplicação da nova sobretaxa.

Guilherme Coelho, presidente da Abrafrutas, afirma que as alternativas para o setor são limitadas.

“Não podemos colocar essa manga no Brasil, porque vai colapsar o mercado. Então, urge uma definição, urge o bom senso, urge a flexibilidade, urge um pensamento global, um pensamento geral, para que não tenhamos que deixar manga no pé, com desemprego em massa”, diz.

“Agora nós estamos bastante inseguros. Porque, infelizmente, a essa altura não podemos pegar essa manga e jogar na Europa. O preço vai desabar, não há logística para isso”, afirma o presidente.

A entidade afirma que o segundo semestre, tradicionalmente responsável pelo maior volume de receitas da fruticultura, pode se transformar em um período de colapso.

Dados da CitrusBR (Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos) mostram que o suco de laranja também está em risco. Na safra 2024/2025, a exportação representou 305 mil toneladas de suco enviadas para os Estados Unidos e mais de US$ 1,3 bilhão em receita para o Brasil.

O aumento de 533% na taxação torna inviável a continuidade das vendas ao segundo principal destino do produto. O volume em risco ameaça toda a cadeia produtiva, especialmente agora, no início da nova safra.

O governo federal orientou empresas brasileiras a mobilizarem seus compradores nos EUA e tenta negociar com a administração americana o adiamento da tarifa por pelo menos 90 dias.

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