A produção de frutas de clima temperado no Brasil vem ganhando novas fronteiras e se consolidando em regiões fora do tradicional eixo Sul e Sudeste. De acordo com o Boletim de Conjuntura Agropecuária, divulgado na última quarta-feira (18) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), estados como Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além de áreas serranas de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e até Bahia, têm se destacado na produção de frutas como uva, maçã, pera e mirtilo.
Mesmo sendo um país tropical, o Brasil apresenta, em diversas regiões, condições climáticas favoráveis ao cultivo dessas culturas. Durante os outonos, invernos e primaveras, e até mesmo com registros pontuais no verão, temperaturas negativas são observadas, proporcionando o ambiente ideal para o desenvolvimento de espécies típicas de clima temperado.
O relatório do Deral dá atenção especial ao avanço da fruticultura no semiárido nordestino, especialmente nos polos irrigados de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA). Tradicionalmente reconhecidas como grandes produtoras e exportadoras de uva, as duas cidades vêm diversificando sua produção com o cultivo de peras e mirtilos, graças ao uso de tecnologia e pesquisa agropecuária adaptada ao clima local.
Segundo o boletim, a pesquisa tem sido fundamental para reduzir o tempo entre o plantio e a primeira colheita dessas culturas. Um exemplo disso é a quebra de paradigmas na produção de pera: o ciclo produtivo, que antes levava cerca de sete anos, agora pode atingir a primeira safra comercial em apenas três anos.
A busca por cultivares mais resistentes e adaptadas também tem sido destaque em outras regiões do país. Na produção de maçã, a cultivar Eva, desenvolvida no Paraná, tem permitido o cultivo em áreas com temperaturas mais elevadas. Já a produção de morangos, que antes era restrita a apenas três meses do ano, hoje consegue abastecer o mercado nacional de forma contínua.
Por outro lado, frutas de caroço como pêssegos, ameixas e nectarinas enfrentam os efeitos das mudanças climáticas. De acordo com o Deral, geadas tardias e bolsões de calor têm impactado as safras, exigindo ainda mais inovação e manejo por parte dos produtores.
O crescimento da demanda interna também reflete o avanço do setor. Em 2024, as importações brasileiras de frutas de clima temperado ultrapassaram a marca de US$ 1 bilhão, evidenciando a consolidação de um mercado consumidor cada vez mais exigente.
Para debater os desafios e as soluções para a fruticultura de clima temperado no Brasil, será realizado no próximo dia 25 de junho o 11º Seminário Estadual de Fruticultura de Clima Temperado, na Estação de Pesquisa da Lapa, do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná). O evento reunirá produtores, técnicos e representantes do setor para troca de experiências e apresentação de novas tecnologias

